Os primeiros Sohn´s

Os primeiros Sohn´s

O primeiro Sohn, Jean Sohn (1730-?), era um arauto público (“veilleur de nuit”) em Estrasburgo, um emprego modesto mas honrado, pois os moradores da cidade confiavam nele para sua segurança. No começo do século XVIII, em diversos momentos, principalmente entre 1743 e 1744 grupos de Croatas passavam pelos campos e cidades da Alsácia. A partir de então a cidade ficou mais calma; e sua função era andar pelas ruas para verificar que nada de errado estava ocorrendo e dizer as horas: “É meia-noite, devemos nos retirar para casa sem ruído” (em francês: “Il est minuit, qu’on se retire sans faire de bruit”).

Naturalmente ele dizia isso no dialeto Alsaciano, uma variante do alemão. Seu filho Jean Philippe Sohn (1759-1829) trabalhava num curtume. Estrasburgo era um grande centro de curtumes; as terras úmidas proximas do tranquilo rio Ill eram bastantet convenientes para o tratamento das eles de animais. As técnicas da época demandavam diversos anos de banhos na água para se obter o couro. Não sabemos se ele era um trabalhador no curtume ou um pequeno empresário do ramo. De qualquer modo ele recebia o suficiente para pagar os estudos de seu filho. Provavelmente ele possuia um curtume pois documentos de família mostram que ele morava próximo da sede da guilda dos curtidores de Estrasburgo, na esquida da Rua Bains aux Plantes e Rua des Cheveux. As ruas de Estrasburgo possuem nomes estranhos devido às traduções feitas sucessivamente quando da passagem para o lado alemão e para o lado francês durante os últimos quinhentos anos.

A família Sohn era de origem humilde pois Rodolphe Reuss (historiador francês, parente dos Sohn por casamento), bibliotecário e arquivista de Estrasburgo, foi incapaz de achar qualquer informação sobre a família Sohn. No século XVIII, Estrasburgo florescia, seus habitantes eram de maioria luterana; as crianças estavam todas na escola. A Revolução Francesa, benvinda no início, não deixou boas recordações. O ano de 1789 teve um inverno rigoroso; o rio Reno congelou e as pontes foram destruídas. Como metade da comida para Estrasburgo vinha da região de Bade, houve uma fome por todos os lados.

A partir de Jean Charles Sohn (1793-1872), o filho único de Jean Philippe, nós temos mais informações. Após seus estudos de teologia ele foi indicado como pastor em Eckbolsheim, a 5 Km de Estrasburgo. Jean Charles era um pastor bastante admirado; ele se casou com uma das cinco filhas de um rico comerciante, Caroline Staelhing; eles tiveram seis filhos, quatro meninas, duas das quais morreram ainda crianças, que nunca se casaram, e dois meninos Charles Auguste e Charles Emile. Charles Emile, químico, emigrou para a Inglaterra e Charles Auguste permaneceu em Estrasburgo trabalhando no banco de seu avô.

O banco Staelhing permaneceu ativo em Estrasburgo até depois da segunda grande guerra. Jean Charles foi professor (instituteur) em Estrasburgo, na Escola St. Nicolas, antes de se mudar para Eckbolsheim para se tornar pastor.

Jean Sohn e a “Princesa Cristina”:
Jean Sohn após trabalhar como arauto público, foi empregado, segundo documentos da família, na “Princesa Cristina” em Brumath, onde ele viveu o resto de sua vida. O que seria a “Princesa Cristina”?

Brumath é uma pequena cidade próxima de Estrasburgo. Lá existe um consistório protestante instalado no velho palácio da princesa Cristina de Saxe (nome completo Maria Christina Anna Teresia Salomea Eulalia Franziska Xaveria, 1735-1782). Teria Jean Sohn trabalhado no palácio, para a princesa, ou no consistório? Dada a história de seu filho e neto, é possível que ele tenha trabalhado para ambos. A princesa, filha do Eleitor da Saxônia e rei da Polônia, Augusto III (1696-1763), era abadessa de Remiremont. O avô da princesa, Augusto II (1670-1733) Eleitor da Saxônia e Rei da Polônia, foi responsável pela construção de diversos palácios em Dresde, e a princesa recebeu uma educação bastante refinada e pouco usual para uma mulher da época, tendo aprendido filosofia e diversas línguas. O avô, por motivos políticos, havia se convertido do protestantismo para o
catolicismo. Coincidência ou não, o castelo da princesa iria se tornar, após sua morte, um consistório protestante. O castelo será tomado pelos revolucionários durante a Revolução Francesa e vendido em leilão em 1795. Em 1804 o consistório de Brumath adquire o castelo e parte do parque por 15.560 libras e ele se torna local de culto. No ano seguinte é inaugurada a igreja do castelo. Se estivesse vivo, Jean Sohn teria 75 anos nesta época, bastante provável pois seu filho morreu aos 70 anos e seu neto aos 79 anos de idade.

O filho de Charles Auguste, Charles Ernest (1863-1947), migrou para o Brasil com sua esposa Juliette Alphonsine Nicolas (1863-1954), natural da Ste. Menehould (região da Champanha, França). O casal Sohn foi responsável pela construção do que é hoje o “Casarão do Belvedere”.