19 e 23 de Agosto – FOLKSONGS | RECITAL ANGELICA DUARTE e EDSON PIZA

19 domingo 11h00 / 23 quinta 20h30

RECITAL ANGÉLICA DUARTE (soprano)

ao piano EDSON PIZA

FOLK SONGS

“A música folclórica expressa a natureza do povo”
                                                     Leonard Bernstein
A natureza, o amor, a guerra e a morte estão entre as poucas verdades eternas e constantes que acompanham a humanidade desde o início. Diferentes povos, em diferentes tempos, cantaram suas dores e alegrias de amor, seus desejos de fartura e prosperidade, ou mesmo suas despretensiosas brincadeiras infantis.Movidos pelo desejo de conservar e celebrar a cultura popular, mas também certamente pelo poder por vezes misterioso dessas canções, grandes nomes da música erudita do século 20 se propuseram a recolhê-las e ambientá-las, criando novas possibilidades para a expressão desse rico material.As canções, que evocam de forma surpreendente, em suas melodias e ritmos, os povos que as imaginaram, são assim revestidas do mais refinado artesanato musical, em que texturas, harmonias e timbres nascem de uma sofisticada escrita para o piano.Angélica Duarte (soprano) e Edson Piza (piano) apresentam nesse recital uma pequena seleção desse vasto repertório, celebrando alguns grandes mestres e os autores anônimos que os inspiraram.

Programa:

BARTÓK, Béla – Tíz magyar dal (1906) 15´ (Dez Canções Húngaras)

I. Tiszán innen, Tíszán Tul (Para cá do Tisza, para lá do Tisza)

II. Erdök, völgyek, szük ligetek (Florestas, montanhas, bosques fechados)

III. Olvad a hó, csárdás kisangyalom, tavasz akar lenni (Derrete a neve).

IV. Ha bemegyek a csárdába, kimulatom magam (Quando entro no bar)

V. Fehér László lovat lopott (László Fehér roubou um cavalo)

VI. Megittam a,  piros bort a pohárbul (Bebi uma taça de vinho tinto)

VII. Ez a kislány gyöngyöt füz (Essa garotinha está amarrando contas)

VIII. Sej, mikor ëngem katonának visznek (Hei, quando me levarem para ser soldado)

IX. Még azt mondják, sej haj iciny piciny az én babám (Continuam dizendo)

X. Kis kece lányom fehérbe vagyon (Pequena afilhada)

RAVEL, Maurice – Cinq melodies populaires grecques (1904 – 1906) 8´

I. Chanson de la mariée (Canção da noiva)

II. Là-bas, vers l’église (Lá, perto da igreja)

III. Quel galant m’est comparable (Que galante se compara a mim)

IV. Chanson des cueilleuses de lentisques (Canção das colhedoras de lentisco)

V. Tout gai! (Tudo é alegria!)

BRITTEN, Benjamin – Folksong Arrangements (1941 – 1959) 7´

I. The Ash Grove (O bosque de Freixos)

II. Greensleeeves (Mangas Verdes)

GINASTERA, Alberto – Cinco canciones populares argentinas (1943) 10´

I. Chacarera

II. Triste

IV. Arrorró (Nana)

Angélica Duarte – soprano.
Cursa o terceiro ano de canto da Escola Municipal de Música de São Paulo sob orientação da cantora/co-repetidora Vania Pajares; estuda também com a soprano Manuela Freua desde 2008. Trabalhou o repertório renascentista e barroco com a cravista Terezinha Saghaard e em 2011 fundou o Conjunto Aurita, que se dedica a execução da música italiana do século XVII. Cantou no Collegium Musicum de São Paulo sob direção do Maestro Abel Rocha, participando de diversos concertos, entre eles o “Vespro della Beata Vergine” de Claudio Monteverdi, onde atuou como solista. Participou de vários festivais e masterclasses tendo aulas com Adélia Issa, Martha Herr, Ângela Barra, Marizlida Hein, Sonia Goussinsky, Pedro Persone, Maria Cristina Kiehr e Adriana Fernández.

Edson Piza – piano

Cursa atualmente o bacharelado em regência na Unesp, sob orientação dos maestros Abel Rocha, Lutero Rodrigues e Achille Picchi. Desde 2010 é aluno de piano da prof. Margarida Fukuda na Escola Municipal de Música de São Paulo, onde também tem aula com Rosana Civile, Antônio Ribeiro, Marizilda Hein, entre outros. Paralelamente desenvolve trabalhos com música popular, como arranjador e intérprete, toca atualmente na Orquestra Jovem Tom Jobim sob regência de Roberto Sion, e já teve aulas de orquestração com Nelson Ayres e Edmundo Villani-Côrtes. Além de concursos e festivais tanto na área do popular quanto da música erudita.

Confira aqui fotos da apresentação:

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A título pessoal e em nome do Casarão do Belvedere, quero agradecer, o enorme trabalho do tradutor, Ákos Jáki pela contribuição na tradução das letras das Dez Canções Húngaras de Béla Bártok. Eu com meu curriculum de tradutor e meus tantos livros já publicados, além das traduções juramentadas, mesmo nos processos por atentados às patas de éguas (rs) quando nos lançamos, como aqui foi o caso com o Ravel, na tradução de poemas e no caso de textos de Folk Songs nos sentimos eu diria perdidos. Fica aqui publicado para os interessados o longo trabalho do tradutor. Agradecemos, ao Consulado da Hungria e, convidamos os leitores deste blog a visitar este país, que eu bem conheci, complexo, e cuja história através dos séculos pôde e poderá sempre nos fornecer elementos de reflexão e análise. Nosso muito obrigado, meu muito obrigado. Paulo Goya


BÉLA BARTÓK
: 10 CANÇÕES FOLCLÓRICAS HÚNGARAS

I. AQUÉM DO (DA BEIRA DO RIO) TISZA, ALÉM DO TISZA

1. Aquém do (da beira do rio) Tisza, além do (da beira do rio) Tisza,
Além do (da beira do rio) Duna há um pastor (de cavalos) com sua tropa (de cavalos).
Seu pequeno cavalo está amarrado com cordão e sem cobertor, e seu dono está com ele.

2. Aquém do (da beira do rio) Tisza, além do (da beira do rio) Tisza,
Além do (da beira do rio) Duna há um boiadeiro com sua boiada (de vacas).
Ele pasta sua boiada e aguarda sua namorada sobre a cama de gramado.

II. FLORESTAS, VALES, BOSQUES ESTREITOS

1. Florestas, vales, bosques estreitos,
Eu ficava escondido como fugitivo por muito tempo dentro de vós (= dos bosques),
Ficava escondido com os animais selvagens,
Chorava com os passarinhos.

2. Chuva chove dos céus,
Rosa se abre nos vales,
Bem, eu estou só,
Como posso viver sem ti?

III. DERRETE A NEVE, MINHA ANJINHA DE (DANÇA DE) “CZARDACH”

Derrete a neve, minha anjinha de (dança de) “czardach”, quer virar primavera,
Quanto eu gostaria de ser botão de rosa no teu jardinzinho!
Não posso ser rosa, porque Francisco José {o Imperador Austríaco e Rei Húngaro} me murcha
no grande quartel alto de três andares de Viena.
Não posso ser rosa, porque Francisco José {o Imperador Austríaco e Rei Húngaro} me murcha
no grande quartel alto de três andares de Viena.

IV. SE EU ENTRAR NO BOTEQUIM {= “CZARDA”}

1. Se eu entrar no botequim {= “czarda”}, eu me divertirei muito,
Tenho ainda um último florim furado, dá-lo-ei ao cigano,
Tenho duas esposas, ambas tem “boas pernas para a dança ‘czardach’”,
Espero que no próximo outono o berço ornamentado balançará.

2. Se eu entrar no botequim {= “czarda”}, me divertirei muito,
Tenho ainda um último florim furado, dá-lo-ei ao cigano,
Não tenho esposa, nem tenho a minha honra,
Enfio a mão no meu bolso: não tenho nem um “centavo”. 

V. LÁSZLÓ FEHÉR (= nome) ROUBOU UM CAVALO

1. László Fehér roubou um cavalo,
atrás do barranco preto,
László Fehér ficou preso lá,
(e) trancaram-no no fundo do calabouço.

2. Anna Fehér ficou sabendo
que seu irmão estava fechado.
“Ponha, cocheiro, os cavalos na carruagem,
Coloque ao meu lado muitas moedas de ouro.”

3. “Que Deus dê bom dia, senhor tenente!”
“Que Deus dê, minha bela passarinha!
O que trouxeste,
Meu coração, minha pérola?”

4. László Fehér roubou um cavalo,
atrás do barranco preto,
László Fehér ficou preso lá,
(e) trancaram-no no fundo do calabouço.

VI. EU BEBI O VINHO TINTO DO COPO

Eu bebi, bebi o vinho tinto do copo,
Seria uma pena ainda passar deste mundo,
Seria uma pena ainda morrer, tão cedo murchar,
No cemitério de Szele, de Kisszele, murchar. Obs.: Szele = Kisszele (repetição do nome do mesmo vilarejo)

VII. ESTA MENINA ESTÁ ENFIANDO PÉROLAS

1. Esta menina está enfiando cordão nas pérolas,
Seus olhos queimam como o fogo,
Se meus olhos queimassem como os dela,
Ah, me amaria uma rapariga moreninha.

2. Não há coisa mais doce que o mel,
Alguém que ama, olha para aquela pessoa a quem ele ama.
Bem, eu gosto de loira,
Quando eu olho para ela, sorrio.

VIII. AH, QUANDO ME LEVARÃO PARA SER SOLDADO

1. Ah, quando me levarão para ser soldado,
Todas as folhas do álamo cairão,
Podeis já chorar, moças de (vilarejo) Benedek,
Ah, por três anos não irei para vós.

2 Ah quando me levarem para ser soldado,
Na vala até a água tremula,
Na vala a água pode tremular a toa,
Quão bom seria se minha querida me amasse verdadeiramente.

IX. ELES DIZEM, HEI, HEI

Eles dizem, hei, hei, que minha namorada é miudinha,
Quando eu danço com ela, ela não combina comigo de forma alguma.
Hei, não me importo, quão miudinha és,
Grande é o meu amor, tu és minha de qualquer maneira. 

X. MINHA FILHINHA ESBELTA

1. Minha filhinha esbelta está de branco
Minha rosa de branco, ela está de branco.
Digo-te, digo-te, gira para mim, minha noiva,
Digo-te, digo-te, gira para mim, minha noiva.

2. Rosa de Kajta, hortelã de Chipre,
Eu iria para dança, se houvesse menina bonita.
Digo-te, digo-te, gira para mim, minha noiva,
Digo-te, digo-te, gira para mim, minha noiva.

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