O Colecionador

SÁBADOS ÀS 22H00

Frederico Clegg é um jovem empregado da câmara municipal que tem dificuldades de lidar com as pessoas que estão a sua volta. Sem futuro algum seu único hobby é colecionar borboletas, o que lhe dá sensação de poder e controle, coisas que estão completamente fora de sua vida.

Desde a primeira vez que a viu, Frederico ficou obcecado por Miranda Grey. O introvertido colecionador de borboletas admirava à distância a beleza da jovem e privilegiada estudante de arte. Até que um dia ele ganha na loteria e decide comprar uma casa de campo. Reformando o porão da casa, ele planeja trazer Miranda para ser sua hóspede com um único objetivo: demonstrar seu amor por ela e ser correspondido. Obviamente não terá sucesso, pois só o seqüestro em si, será o primeiro de uma série de obstáculos à reciprocidade desejada por Frederico. Ele seqüestra Miranda e a mantém presa no porão da casa dando a ela tudo o que precisa. Mas o que ele logo descobre é que a realidade está muito longe de sua fantasia, e não imagina que sua relação tensa e claustrofóbica com Miranda, levará a um clímax devastador.

É na tentativa de Frederico criar um vínculo afetivo com Miranda que se tem uma das maiores ilustrações sobre a deterioração de um relacionamento pela incapacidade de se conceber o Outro.

O problema de Frederico é justamente o confronto entre o que ele idealiza (sobretudo a sua concepção da mulher amada) e a realização daqueles ideais. Ele não compreende (ou até aceita como corretas) as inconseqüências de suas ações, e não percebe a destruição que provoca ao objeto amado. Esta imaturidade de caráter não se evidencia apenas fisicamente, mas na própria aceitação de uma subjetividade alheia. Imaturidade cultivada numa vida sem afetividade, cuja única relação desenvolvida foi a de posse (a coleção de borboletas) e é neste mesmo âmbito que dar-se-á sua relação com Miranda. Enclausurada no porão da casa de Frederico, a moça vive como mais uma de suas borboletas, desenvolvendo seus desenhos, colorindo o seu “casulo”, sob o afastado olhar de seu “dono”, que apenas a veste e alimenta. O contato físico entre eles ocorre exclusivamente em função das tentativas de fuga de Miranda, quando Frederico é obrigado a subjugá-la pela força, agarrá-la, abraçá-la, amarrá-la, ou, em dado momento, quando por iniciativa própria a moça tenta acariciá-lo. Para Frederico são momentos de verdadeira provação, uma afronta à “pureza” que almeja à relação.

É na recusa de Frederico à introdução de elementos exteriores ao “seu mundo” que faz da moça objeto de crescente decepção aos ideais do rapaz, que, em contrapartida, cada vez mais esforça-se a manutenção dos mesmos; ideais que causam um desequilíbrio esmagador de concessões, no qual um dos lados (Miranda) acaba por anular-se totalmente: morta, torna-se literalmente apenas um objeto: não há mais essência à admirar. Por isso, Frederico, como um colecionador, parte em busca da sua próxima borboleta.de um colecionador, parte em busca da sua próxima borboleta.

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